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Presidente da APA afirma que renováveis ajudam a mitigar impacto da crise energética em Portugal

Presidente da APA afirma que renováveis ajudam a mitigar impacto da crise energética em Portugal

O presidente da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), José Pimenta Machado, explica que a aposta de Portugal em fontes de energia renovável permite mitigar os impactos da crise energética global decorrente do conflito no Médio Oriente.

RTP /
Pedro A. Pina - RTP

Em declarações à Lusa, José Pimenta Machado afirmou que apesar de Portugal não possuir petróleo nem gás, “há uma coisa que temos em abundância: sol, vento e água”.

Esta aposta nas fontes de energia renovável reduzem o impacto em Portugal da instabilidade energética mundial, decorrente do conflito entre os EUA, Israel e Irão.

O presidente da APA lembra que o desempenho das renováveis foi impulsionado, em grande parte, pela intensa chuva registada este ano, que permitiu encher as albufeiras nacionais.


"Este ano enchemos as barragens todas. Aliás, enchemos e tivemos que fazer descargas de superfície porque elas estavam literalmente cheias", apontou o dirigente.

Para Machado, esta estratégia de aproveitar os recursos que o país possui "não dependendo do exterior" tem-se provado a correta para limitar a escalada de preços para os consumidores.

"O caminho de Portugal nas renováveis é um caminho certo. E este ano mostrou que é mesmo esse caminho e até porque limitou os custos da energia", concluiu, defendendo a necessidade de "acentuar" e "acelerar" esta transição.


Portugal é líder na União Europeia em energias renováveis, com mais de 80% da eletricidade gerada nos primeiros dois meses de 2026 a provir de fontes limpas, de acordo com informação disponível no portal da Associação Portuguesa de Energias Renováveis (APREN).
As principais fontes são a hídrica (36,8%) e a eólica (35%), com crescente destaque para a solar (5,2%), ainda de acordo com a APREN.

O encerramento do Estreito de Ormuz e os ataques contra alvos energéticos no Golfo Pérsico fizeram disparar os preços do petróleo e gás, com os valores a atingirem recordes históricos.

Após o anúncio do plano de paz proposto por Trump, os preços do Brent e do gás baixaram, embora os valores continuem longe daqueles registados antes do início da guerra, a 28 de fevereiro.

Este mês, o Governo português aprovou um pacote de medidas estruturais na área da energia que aposta no reforço da produção renovável, na expansão do autoconsumo e na criação de instrumentos para conter preços em cenários de crise energética.

Uma das novidades mais relevantes é a criação de um mecanismo que permite ao Estado intervir diretamente nos preços da energia em caso de crise.

O Ministério do Ambiente e Energia explicou que uma eventual declaração de crise energética poderia justificar-se, mas apenas ao gás natural, depois de se verificar agravamento muito significativo e recente das condições de mercado, com o preço do gás a situar-se "atualmente cerca de 85% acima dos níveis verificados no início da guerra no Médio Oriente".

c/ Lusa
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